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Transcendência, inteligência artificial, segurança pública e o papel estratégico dos CIOs marcaram os painéis do maior evento de tecnologia para a gestão pública no Brasil

Nos dias 6 e 7 de agosto, o SECOP 2025 reuniu em Brasília autoridades, especialistas e lideranças públicas de diversas áreas para refletir sobre os rumos da transformação digital no Brasil. Com o tema “Transcendência – ir além dos limites atuais da tecnologia, da computação e da própria percepção humana”, os painéis do evento estimularam reflexões profundas sobre o uso estratégico da tecnologia na administração pública e os impactos éticos, sociais e institucionais dessa evolução.

Ao longo de quatro painéis temáticos, realizados no Centro Internacional de Convenções do Brasil, os participantes discutiram desafios contemporâneos e perspectivas futuras, sempre com foco na ampliação da eficiência estatal, na promoção de políticas públicas mais inteligentes e na aproximação com o cidadão.

Transcendência como princípio norteador da inovação pública

O primeiro painel do evento, realizado na manhã de terça-feira (6), abordou o tema central do SECOP 2025: a transcendência. Sob a moderação de Allan Araújo, presidente da ATI/PE e vice-presidente de Tecnologia da ABEP-TIC, os painelistas discutiram como a inovação pode (e deve) ultrapassar fronteiras técnicas e conceituais para gerar impacto concreto na vida das pessoas.

Participaram do debate nomes como o educador e pesquisador Guto Niche, o especialista em governança e IA Wesley Vaz (TCU), o presidente do Prodest e vice-presidente de Inovação da ABEP-TIC Marcelo Cornélio, e o advogado e ex-secretário estadual Mauro Farias. Juntos, eles trouxeram visões complementares sobre a responsabilidade pública diante da rápida evolução tecnológica, destacando a necessidade de decisões éticas, formação continuada de lideranças e o estímulo à criatividade institucional como pilares para um Estado verdadeiramente inovador.

Inteligência Artificial: regulamentar, implementar e democratizar

Na manhã de quarta-feira (7), o uso da inteligência artificial no setor público brasileiro foi o foco do segundo painel. Com mediação da pesquisadora jurídica Melina Ferracini de Moraes, da Comissão de IA da ABEP-TIC, a discussão contou com representantes de instituições federais, estaduais e da sociedade civil.

Entre os painelistas estavam André Sucupira (PRODESP), Marcio Cesar Pereira (Governo de Goiás), Ellen Gera (ETIPI), Welsinner Brito (SERPRO), Manuella Ribeiro (Cetic.br/NIC.br) e Felipe Cruz (ANAC). O debate destacou o crescimento acelerado das soluções baseadas em IA no governo, o potencial da tecnologia para ampliar o acesso e a qualidade dos serviços públicos, e os riscos associados ao seu uso sem uma governança responsável.

Os participantes enfatizaram ainda a importância de marcos regulatórios claros, da capacitação de servidores e da articulação interinstitucional para garantir o uso ético, seguro e inclusivo da IA no Brasil.

Tecnologia e segurança pública: integração e inteligência como estratégia

No período da tarde, o terceiro painel trouxe à tona um dos temas mais sensíveis da administração pública: a segurança. Moderado pela jornalista Ana Paula Lobo, diretora do portal Convergência Digital, o debate reuniu gestores que atuam na linha de frente da proteção à população, como Joedson Camilo de Oliveira (PRF), Bilmar Angelis (SSP-DF), Orlando Morando Junior (Secretaria de Segurança de SP) e Leandro Silva de Sousa (SSPDS-CE).

O painel evidenciou como a tecnologia tem sido essencial para fortalecer a atuação das forças de segurança, seja por meio da integração de bancos de dados, uso de câmeras inteligentes, georreferenciamento, interoperabilidade entre sistemas ou ferramentas de análise preditiva. Também foi abordado o desafio de equilibrar inovação e privacidade, garantindo que os avanços não comprometam direitos fundamentais.

Os desafios estratégicos dos CIOs no setor público

Encerrando a programação de debates do SECOP 2025, o quarto painel abordou o papel dos Chief Information Officers (CIOs) na administração pública. Com moderação de Wisney Rafael Alves de Oliveira (SETIC/DF e ABEP-TIC), o painel trouxe diferentes olhares sobre a jornada que vai da captação de recursos até a entrega de soluções tecnológicas à sociedade.

Compuseram a mesa o presidente da Telebras, André Leandro Magalhães, o subsecretário de TI do MEC, Marco Antonio Fragoso, o subsecretário de TI do Ministério da Agricultura, Camilo Mussi, o diretor do Ministério da Saúde, Paulo Eduardo Sellera, a coordenadora da AGU, Lara Brainer, e o consultor do BID, Julio Signorini.

A discussão girou em torno dos desafios operacionais e políticos enfrentados por quem lidera a transformação digital em órgãos públicos. Os painelistas compartilharam experiências sobre governança, integração federativa, inovação aberta, gestão de contratos e prestação de contas à sociedade.

Reflexão coletiva, ação institucional

Mais do que promover debates, o SECOP 2025 proporcionou um espaço de construção coletiva de soluções e de fortalecimento do ecossistema de tecnologia pública no país. A diversidade de visões e a densidade técnica das discussões reafirmaram o compromisso da ABEP-TIC em fomentar políticas digitais que sejam, ao mesmo tempo, eficientes, humanas e sustentáveis.

Os painéis reforçaram que, para além da técnica, é preciso visão estratégica, cooperação e coragem para liderar mudanças que realmente façam sentido no cotidiano da população brasileira.

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